Entender o que causa câncer ajuda a olhar para a saúde de forma mais consciente e preventiva.
Falar sobre saúde é, antes de tudo, falar sobre cuidado e informação, já que muitas escolhas do dia a dia, ao longo do tempo, influenciam a forma como o nosso corpo reage e se mantém em equilíbrio.
Continue a leitura para compreender melhor como um tumor se desenvolve e conhecer ações de prevenção possíveis no dia a dia.
Fatores de risco para o desenvolvimento do câncer
O câncer pode estar relacionado a diferentes fatores, que envolvem tanto características individuais quanto aspectos do ambiente e dos hábitos de vida.
De forma geral, os fatores de risco podem ser divididos entre aqueles que podem ser evitados ou reduzidos e aqueles que não podem ser modificados.
1. Fatores de risco não modificáveis
São aqueles que não podem ser alterados pelo indivíduo, mas que são fundamentais para avaliar o risco, orientar o acompanhamento oncológico e apoiar o aconselhamento genético.
a) Idade
O risco de câncer aumenta de forma progressiva com o envelhecimento, principalmente devido ao acúmulo de mutações ao longo do tempo e à redução da eficiência dos mecanismos de reparo do DNA.
Dados do National Cancer Institute (NCI) mostram que a maioria dos diagnósticos ocorre em pessoas com mais de 60 anos.
b) Sexo
Alguns tipos de câncer apresentam maior prevalência de acordo com o sexo biológico. Essas diferenças estão relacionadas, principalmente, a fatores hormonais e genéticos que influenciam a incidência dessas condições.
- No sexo feminino, destacam-se o câncer de mama e o câncer de ovário.
- No sexo masculino são mais frequentes os cânceres de próstata e de testículo.
c) Histórico familiar e predisposição genética
Algumas pessoas herdam alterações genéticas que podem aumentar a chance de surgirem problemas ao longo da vida. Nesses casos, é importante ter um acompanhamento médico mais próximo, com exames e orientações específicas para cada situação.
Os exemplos de mutações mais conhecidos incluem:
- Mutações nos genes BRCA1/2, associadas ao câncer de mama e ovário.
- Mutações no gene TP53, relacionadas à Síndrome de Li-Fraumeni, que predispõe a múltiplos tumores sólidos.
- Mutações nos genes MLH1, MSH2 e MSH6, ligadas à Síndrome de Lynch, associada ao câncer colorretal e de endométrio.
d) Etnia e fatores genômicos populacionais
Alguns grupos populacionais apresentam maior predisposição a determinados tipos de câncer, influenciada por características genômicas e, em alguns casos, também por fatores ambientais.
Entre os exemplos estão pessoas afrodescendentes, que apresentam maior incidência de câncer de próstata mais agressivo, e populações asiáticas, nas quais há maior prevalência de câncer gástrico, condição que também se relaciona a fatores ambientais.
2. Fatores de risco modificáveis
Esses fatores estão relacionados a o que causa câncer e podem ser prevenidos ou reduzidos por meio de intervenções, representando a maior parte dos casos de tumores evitáveis, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
a) Tabagismo
O tabagismo é o principal fator de risco isolado e evitável para o desenvolvimento de tumores. O cigarro contém mais de 70 substâncias carcinogênicas conhecidas, como o benzopireno e as nitrosaminas. Ele está associado às seguintes condições:
- câncer de pulmão;
- câncer de laringe;
- câncer de boca;
- câncer de esôfago;
- câncer de bexiga;
- câncer de pâncreas;
- câncer de rim;
- câncer de estômago;
- câncer de colo do útero;
- entre outros.
b) Álcool
Ao ser metabolizado pelo organismo, o álcool se transforma em acetaldeído, uma substância carcinogênica. Além disso, quando associado ao tabagismo, ele potencializa os danos, aumentando ainda mais o risco, especialmente nos tumores do trato aerodigestivo superior.
Seu consumo está associado ao câncer de fígado, esôfago, mama e orofaringe.
c) Obesidade e sedentarismo
O excesso de gordura corporal favorece processos como inflamação crônica, resistência à insulina e aumento dos níveis de estrogênio circulante, fatores que contribuem para o surgimento da doença.
Essa condição está associada a câncer de mama após a menopausa, cólon, endométrio, fígado, rim e pâncreas.
Por outro lado, a prática regular de atividade física ajuda a reduzir o risco, pois melhora o metabolismo energético e diminui a inflamação sistêmica.
d) Alimentação inadequada
Quando falamos sobre o que causa câncer, a alimentação tem um papel importante. O consumo frequente de carnes processadas, gorduras saturadas e açúcares está associado ao aumento do risco.
Além disso, substâncias como nitritos e nitratos presentes em alimentos processados estão relacionadas a tumores gástricos e colorretais.
Enquanto isso, a baixa ingestão de fibras, frutas e vegetais reduz a proteção do organismo contra radicais livres e inflamações.
e) Exposição solar excessiva (radiação UV)
A exposição excessiva ao sol pode causar danos diretos ao DNA das células da pele, favorecendo alterações importantes em genes como o p53. Esse tipo de exposição está associado ao melanoma e aos principais tumores de pele, como os carcinomas basocelular e espinocelular.
f) Exposições ocupacionais e ambientais
O contato frequente com determinadas substâncias no local de trabalho ou no meio ambiente pode aumentar o risco de adoecimento. Veja alguns exemplos:
- A exposição ao amianto está relacionada ao mesotelioma e a tumores pulmonares, enquanto.
- O benzeno está associado à leucemia mieloide aguda.
- Já o contato com agrotóxicos, solventes, sílica e poeiras industriais está ligado a diferentes tipos de neoplasias.
g) Infecções oncogênicas
Algumas infecções também estão na lista de o que causa o câncer, pois podem provocar alterações persistentes nas células ao longo do tempo. Entre as principais estão:
- HPV (tipos 16 e 18): relacionado ao câncer de colo do útero, orofaringe e ânus.
- Hepatite B e C: associadas ao carcinoma hepatocelular.
- Helicobacter pylori: ligado ao tumor gástrico e ao linfoma MALT.
- Vírus de Epstein-Barr (EBV): associado ao linfoma de Burkitt e ao carcinoma de nasofaringe.
Como prevenir o que causa o câncer
Ao compreender o que causa o câncer e como preveni-lo, precisamos ter consciência de que os fatores de risco não modificáveis não podem ser alterados, pois estão relacionados a características individuais, como idade e genética.
Já os fatores modificáveis permitem intervenção, principalmente por meio da adoção de hábitos de vida mais saudáveis e da redução de exposições de risco.
Além disso, consultas médicas regulares e exames de acompanhamento são fundamentais para identificar alterações precocemente e orientar estratégias de prevenção adequadas a cada pessoa, conforme resumido na tabela a seguir.
| Categoria | Exemplos principais | Potencial de prevenção |
| Não Modificáveis | Idade, sexo, mutações germinativas, etnia. | Vigilância, rastreamento personalizado. |
| Modificáveis | Tabaco, álcool, dieta, obesidade, radiação UV, agentes ocupacionais e infecções. | Alta — medidas de prevenção primária e vacinação. |
Conclusão
Embora existam fatores que não podem ser modificados e façam parte da predisposição individual, uma parcela significativa dos casos, cerca de 40 a 50%, está relacionada a fatores que podem ser prevenidos.
Isso reforça que se cuidar faz bem e que escolhas mais saudáveis ao longo da vida têm um impacto direto na saúde.
Reduzir o tabagismo e o consumo de álcool, adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, manter a vacinação em dia (como HPV e hepatite B) e cuidar da segurança no ambiente de trabalho são atitudes que fazem diferença.
Para continuar se informando e entender melhor o que causa o câncer e outras informações sobre diferentes tipos de doença, acompanhe os conteúdos do blog da NovaNeo.
